Da Turquia a São Paulo, geração Y vai às ruas

Luís Eduardo GomesLuís Eduardo Gomes

Pela primeira vez, a geração Y, jovens nativos da Era Digital, se tornam protagonistas de manifestações no Brasil e em todo mundo. Movimentos nascidos nas redes sociais, que se dizem apartidários, ganham as ruas dando vozes a insatisfações generalizadas, diversificadas, e assustam as autoridades, que são pegas entre tentar reprimir violentamente os protestos e tentar entender o que há por trás deles e qual alternativa se propõe. O Terra ouviu analistas para entender o que move estes movimentos e como eles afetam o que até então se entendia como fazer política.

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Milhares de pessoas protestam no Rio de Janeiro na noite de segunda-feira; manifestação foi convocada pelas redes sociais
Foto: AP

Gil Giardelli, especialista em redes sociais e professor das universidades ESPM e FIA-SP, afirma que os protestos que tomaram conta das ruas brasileiras são uma evolução do comportamento do usuário da internet. Primeiramente, eram compartilhadas fotos de partos de comida, de animais, e em um segundo momento ocorre um compartilhamento do debate político. “O que aconteceu nos últimos dias é uma nova fase de amadurecimento dessa sociedade em rede que sai de uma grande infância”, diz Giardelli. “Você pode usar as mídias sociais para compartilhar foto de prato de comida, mas também pode usar para mudar o seu mundo”.

Da Turquia a São Paulo, de Wall Street a Porto Alegre
É difícil datar o início das mobilizações que saíram da internet para tomar conta das ruas, mas pode-se marcar a virada da primeira década deste século como um marco da eclosão de movimentos como Primavera Árabe, Occupy Wall Street, os Indignados na Espanha, entre outros. Mais recentemente, os movimentos na Turquia e no Brasil.

“Você pode usar as mídias sociais para compartilhar foto de prato de comida, mas também pode usar para mudar o seu mundo”
Gil Giardelli

No Brasil, pode se traçar um ponto inicial para as atuais manifestações nos atos de Porto Alegre, em março, contra o aumento das tarifas de ônibus de R$ 2,85 para R$ 3,05, que culminaram com a suspensão temporária da elevação. No início de junho, novos protestos contra o preço do transporte público, dessa vez em São Paulo, ganharam grande notoriedade e se espalharam pelo País, crescendo à medida que iam incorporando causas que iam além da redução da tarifa. “Não é por 0,20 centavos, é por direitos”, diz a frase que se tornou um clássico instantâneo nas redes sociais nas últimas semanas.

Para Marcelo Branco, ativista do software livre e ex-coordenador de mídias sociais da campanha da presidente Dilma Rousseff, estes movimentos têm como características comuns o fato de partirem de uma causa inicial, atraírem milhares de pessoas e não terem a intermediação de um partido ou de um sindicato, que normalmente comandavam as mobilizações sociais. “É grande novidade política desse século”, diz.

O professor Eduardo Svartman, doutor em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), vê outra característica comum entre os protestos no Brasil, na Turquia ou nos Estados Unidos, o fato de que são causas com origem na classe média. “Na Turquia, foi para a rua uma classe média instruída, secular, liberal e contrária a concentração de poder na figura do primeiro-ministro e à islamização do estado laico”, diz.

largo da batata São Paulo. Quinto ato contra aumento das passagens. Foto Mídia Ninja

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