GRAFITE EM SÃO PAULO ESTA MUDANDO

Fonte: JT

O grafite de São Paulo está mudando. Como sempre. Isso porque poucas manifestações artísticas são tão dinâmicas quanto esta, surgida há quase 40 anos nos Estados Unidos. E, se considerarmos que suas raízes são, por vezes, relacionadas às primeiras inscrições em cavernas… Bem, aí sim, pode-se dizer que o grafite mudou mesmo.
Durante a apuração desta reportagem, descobrimos que novos muros (bem especiais) já estão previstos.

TRECO, 25 ANOS
Muitos grafiteiros aprendem a pintar nas ruas e depois enveredam pelas artes plásticas. O caminho seguido por Treco foi o inverso – primeiro estudou artes na Faap e só depois passou a colorir avenidas próximas ao Pacaembu. “Nunca tive uma relação forte com a rua, até começar a me locomover de bicicleta e passar a ‘viver’ mais o espaço público”, lembra. Há pouco mais de dois anos nos muros, suas pinturas costumam mesclar imagens de bichos, com bom humor e um toque de surrealidade. “Se chego a uma casa ou a um lugar que tem gente, peço autorização – se o dono não concordar, procuro outro lugar”, diz.
ONDE VER: Região do Pacaembu, na zona oeste.

ALTO CONTRASTE (LUCIO, 35 ANOS, E LYGIA, 34)
A filha de Lucio Dedubiani estava na barriga de sua mulher, Lygia Corrêa, quando os dois decidiram sair às ruas para fazer grafite. O nome da dupla, Alto Contraste, surgiu da dualidade entre a vida familiar pacata que levavam e as saídas para uma “atividade subversiva”. Há seis anos, o casal se dedica ao estêncil, em que uma fôrma vazada é usada para fazer os desenhos. Desses moldes, saem personagens criados a partir de fragmentos de diferentes universos. “Pegamos uma perna saída de uma revista de moda dos anos 50, com um terno de homem e cabeça de animais”, exemplifica Lucio. É, essa dupla gosta mesmo de contrastes.
ONDE VER: Ruas da Barra Funda, na zona oeste.

NOVE, 28 ANOS
João Paulo Cobra é o nono filho por parte de pai. Juntos, seus dois primeiros nomes somam nove letras. E um mapa astral já revelou que seu número da sorte é 9. Tantas coincidências o ajudaram a escolher seu nome artístico: Nove, claro. Aos 16, observando grafites no ‘Minhocão’, ele comprou rolinhos e latas de tinta para suas primeiras intervenções. Mas só em 2006 criou o próprio estilo. “Eu chamo de ‘digital orgânico’ – misturo natureza e vida moderna, influências da pintura digital com algo mais orgânico, aguado”, explica. O estilo lhe rendeu sua primeira exposição, na galeria Choque Cultural – por acaso, no dia 9/9/2009.
ONDE VER: Brás e esq. da Consolação com a Paulista.

MINHAU, 33 ANOS
Enquanto falava com o Divirta-se, Minhau tinha nas mãos um filhote de gato – um dos três que ela mantém em casa. O gesto diz muito sobre sua paixão pelos felinos – e sobre seu trabalho. “Eles são misteriosos e, apesar de parecidos, têm personalidades muito diferentes”, diz. Essas ‘múltiplas personalidades’ também estão nas pinturas que faz, há cinco anos. Nelas, gatos de contornos semelhantes ganham padronagens, estampas e listras. Foi seu marido, o também grafiteiro Chivitz, quem a incentivou. “A vida não é o tempo todo bonitinha e feliz. Então, quando vou para a rua, meu intuito é colocar uma coisa boa minha ali.”
ONDE VER: Ruas do Canindé, na zona norte, e Centro.

SNEK, 23 ANOS
O nome de Snek está espalhado pela cidade. Mesmo que você não se dê conta à primeira vista. Isso porque a assinatura estilizada que ele faz nos muros está bem longe dos traços simples de uma pichação. A imagem acima, por exemplo, é apenas um detalhe de seu nome, a letra ‘S’. Percebeu? Snek, cujo ‘nome de rua’ ele tirou de uma onomatopeia que viu em uma revista em quadrinhos, também desenha personagens – entre eles, monstros coloridos de três olhos que engolem edifícios. “Mas na rua eles são poucos – deixo para fazer personagens mais nos meus trabalhos comerciais”, explica. Entre esses trabalhos, está um painel pintado nos jardins do Sesc Santana, na zona norte.
ONDE VER: Bairro da Parada Inglesa, na zona norte.

MAGRELA, 25 ANOS
Uma mulher curvilínea é amarrada e suspensa no ar. Enquanto segura uma nota de dinheiro, de sua barriga, saem granadas que se espalham pelo chão. O grafite, pintado na região da Cracolândia, no Centro, representa bem o estilo de Magrela. “Procuro criticar nosso modo de vida, o porquê de muito dinheiro, os vícios, as angústias humanas”, diz. Nas ruas desde 2007, ela sai de uma a três vezes por semana para grafitar. Reservada, não gosta de divulgar fotos que revelem muito seu rosto. E também é firme ao falar de suas pinturas: “Não quero fazer algo para embelezar a cidade; quero que as pessoas olhem para meu trabalho e se sintam bem ou mal – e, na maioria das vezes, elas não se sentem muito bem, não.”
ONDE VER: Na zona leste e proximidades da Radial.

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