Documentário Rifaina – Desabafo

Se hoje, estou desenvolvendo outros projetos e outras vertentes é por que durante estes três anos de pesquisas – o projeto Fotógrafo Urbano –  me proporcionou oportunidades de muito estudo e conhecimentos audiovisuais. Neste tempo, aprendi muito, não por fotografar e praticar ( pesquisando) mas, principalmente,  por ter conhecido pessoas incríveis e de tamanha humildade  para compartilhar comigo seus conhecimentos.  Portano, é meu dever fazer o mesmo, compartilhar tudo que aprendi, mas agora, aqui, onde cresci.

Estou exportando essas vivências para minha querida Rifaina. O Documentário que estou desenvolvendo “sozinho”  é uma viagem antropológica para resgatar a memória histórica de uma cidade que perdeu suas referências e tradições, por enquanto, pois estou nesta luta diária, não esta sendo nada fácil, pois, igualmente a outras cidades do Brasil, o poder e a política tentam a todo momento manipular a INFORMAÇÃO ou até mesmo anula-la.  Pois bem, imaginem se no passado não tivéssemos revolucionários capazes de acreditar em suas pragmáticas utopias ?

Este projeto, não é apenas um resgate histório, é uma um desafio unilateral, pois as dificuldades são grandes, equipamento (não tenho), grana (não tenho).  Mas acredite, mesmo assim, já produzi cerca de 50 Giga de vídeos, alguns já disponíveis como marketing viral no youtube.  Sou fiel a cultura digital, software livre para edição e uma camera na mão, claro não a que eu gostaria (que é uma Canon ) mas dentro da minha limitação esta quebrando um galho uma Sony H-20 que grava em HD 720 quadros. Sim, eu sei, não ficará bom para as novas TV´s, mas, o que vale é a intenção, afinal o cinema brasileiro sempre esteve marginal ao processo cultural do país. Foi uma aventura de fotógrafos, produtores e diretores, como no caso dos cineastas de Pernambuco ou o célebre caso de Humberto Mauro, em Minas Gerais, nos anos 30. O cinema no país se desenvolveu em ciclos regionais, carente de mercado e sempre falido em seus resultados econômicos e artísticos, isso me motiva.

O cronograma do roteiro entrou no estágio de captar relatos. É um pouco delicado, pois os anciões daqui não gostam muito de falar pra uma câmera, como comentei, algumas familias estão tão envolvidas com a política que os (fofoqueiros)  mandados, fazem a manipulação para tentar me anular. Acreditem, já tem gente por aqui dizendo  que tudo isso não passa – também – de mera politicagem. Ora meus “amigos” de Rifaina, por que tanta ignorância?

Vou em frente, paro, observo e analiso. Afinal, é assim que move uma “revolução” . Com inteligência, com estratégias, e é por este motivo que dedico tempo a estudar Serguei Eisenstein, Glauber Rocha entre outros. Já são seis meses, e para chegar neste estágio o projeto passou por muita pesquisa, muito, mais muito estudo mesmo, e pra mim, esta experiência esta valendo muito, considero uma pós-graduação autodidata, já que pra frequentar um FAAP, também não tenho grana!   “né não jão” (?)…

O que me entristece é olhar pra cidade que cresci e perceber a estagnação cultural das pessoas – outra briga que estou travando por aqui. A especulação imobiliária e a falta de planejamento turístico estão projetando a cidade para um caos já bem conhecido em outras regiões, como por exemplo o Guaruja no litoral paulista. Para se ter idéia, procurei um fazendeiro que tem uma das maiores cachoeiras do município, pedi autorização pra gravar o local focando a prática de turismo sustentável, sabe o que ele me disse?:  – “Então Ernani, o Secretário de Turismo com os caras do Sebrae estiveram lá. Só que eles querem que eu “puxe” energia pra cachoeira! Eles querem que eu construa um quiosque pro pessoal fazer churrasco lá.”   Sebrae, Pequenas empresas, grandes negócios !

Com este relato, dá pra perceber por que minha urgência em criar Projetos, não só o documentário, mas continuar acreditando no  Encanta Vale (boicotado pelo Secretário de Turismo). Estou a todo tempo buscando alternativas, estou planejando voltar pra Sampa, afinal tenho minhas coisas todas ai, e quero tentar reunir pessoas que possam contribuir com esta nova estapa do projeto, e o que me motiva é perceber que mesmo com tantas dificuldades, existe muita gente que me fala pra não desistir e que é muito bom ter uma pessoa com coragem de enfrentar este banditismo eleitoreio.  Da luta não me retiro, vou enfrente, enfrento zumbis na hipnose generalizada do plin plin cotidiano, enfreto fofocas, difamações, afinal, é só assim que eles sabem fazer. Mas, burro eles, pois acredito no passo a passo, olho no olho,  no porta a porta com humildade, sinceridade, amor e profissionalismo.

Escrevo este post pra compartilhar a experiência com este projeto, mas não deixa de ser um desabafo. Infelizmente por aqui não tenho com quem conversar!

Obrigado a todos que acompanham o Fotógrafo Urbano e acreditam na coletividade para transformar nosso meio ambiente!

Ernani Baraldi

Se puder e quiser contribuir aceito de coração, deixe um comentário ou escreva para fotografoernani@gmail.com

Veja abaixo uma pequena amostra do que já produzi. Site http://www.rifaina.org

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2 pensamentos sobre “Documentário Rifaina – Desabafo

    • Valeu Victor, o doc vai mais um ano; O blog virar um livro, olha também pensei nisso !

      Abraço

      Ernani

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