Simone Fraga e a arte da Marchetaria

O projeto Fotógrafo Urbano completa três anos e inicia uma série de novas pesquisas no interior de São Paulo e Minas Gerais.

Aproveito o tempo no colo materno sem deixar o projeto de lado. Acredito em meus sonhos e ideais mesmo com tantos obstáculos, aliás, são estes que me motivam continuar fazendo a difusão da cultura na rede, o que parecia uma adversidade tornou-se uma oportunidade de intercâmbio cultural com estes 1,5 milhões de acessos no flickr do projeto, não pelo número, a estatística me faz acreditar que esta fome de fazer acontecer, mudar, de viver mais sustentável, usar a arte como instrumento de transformação é a revolução do novo milênio. Coletividade, esta é a palavra que traduz a chegada da nova era.

Obrigado a todos que acreditam e apóiam esta odisséia de intuição. Ernani Baraldi

Estreando esta nova oportunidade trago a vocês Simone Fraga da cidade de Sacramento-MG. A conheci no reveillon e é engraçado esta minha mania de observar, todos lá no rancho (casa de veraneio) e logo percebi que ela era diferente, bastou cinco minutos de prosa e já estávamos falando de arte, enquanto o resto, falavam de quanto valia o carro tal, o terreno o rancho..etc. A conversa foi longa e ela me falou de observação de pássaros, serra da canastra, cachoeiras e marchetaria, logo lembrei da galera do projeto calo na mão em São Paulo. Fiquei imaginando ela construindo um monte de coisas, pensei que tipo de madeira… “Ei, Ernani, tá ai. (risos)” É eu estava longe, voltamos a falar da Marchetaria e ela me explicou (…). Fiquei envergonhado, mas, meiga que é, sensível e humana, riu e com aquele jeitim minerim me cutucou e completou: “Ou, relaxa, cê tem que conhece minha arte sô”. foi o que fiz.

Tags para Simone Fraga: Família, Amor, Companheirismo, Paixão, Amizade, Sonho, Determinação, Natureza, Serra da Canastra, Fazenda, Avô e Avó, Infância, Essência, simplicidade, inteligência, amor, vida…

Simone Fraga e a arte da Marchetaria

– Com que mais gostava de brincar na infância?

Como toda criança, adorava brincar na rua, sou dos anos 80, nasci em 1984, não tínhamos acesso a internet tão pouco celular, então se queríamos encontrar com os amigos o jeito era um passar na casa do outro, juntando todos pra brincar, conversar, fazer bagunça… Às brincadeiras eram coletivas, como pega-pega, policia e ladrão e por ai vai. Éramos crianças de uma cidade pequena com as brincadeiras mais simples.

– Quais as melhores lembranças desta época?

Lembro-me que meus primos adoravam ir pra chácara onde minha avó morava com meu avô – que já se foi – tínhamos mais ou menos 7 ou 8 anos de idade – e todo fim de semana era dia de ir pra casa da vovó. Era uma alegria só, saiamos da escola mais ou menos meio dia e íamos direto pra chácara, a pé mesmo. Era uma alegria, tanto pra gente quanto para minha Avó, ela fazia de tudo pra gente, brinquedos, cortava vareta pra fazermos pipa, costurava sacolas de pano pra gente colocar pedra do estilingue  (a famosa capanga sabe?).  Ela adorava! Saudades

– Qual sua idade?

26 anos

– Signo?

Aquários

– Seu sonho?

Nossa difícil falar, acho que tenho vários sonhos e que ainda irão aparecer mais outros sonhos que quero realizar, quero me formar em biologia, conseguir alguma coisa na área e agora, sonho também com meu ateliê, quero que tudo de certo e consiga reconhecimento e claro,  mercado pra minha arte.

Sensibilidade

– Quando percebeu que a arte entrou na sua vida? Existe alguma relação com sua infância (vivências/influências)?

Bom, na infância não recordo de ter tido alguma vivência que tenha despertado o gosto pela arte, o que despertou mais foi meu lado bióloga, vivi muito na fazenda, no campo, nas coisas simples.

A arte apareceu como hobby, veio primeiro com a marcenaria produzindo caixas de madeira, carrinhos, brinquedos e utilitários, tudo feito de madeira.

Essa história começou quando fui voluntária numa casa que ajuda crianças carentes aqui de Sacramento,  lá era muito bacana, pois eles proporcionavam muitas atividades, inclusive a marcenaria, produzindo caixas de madeira que depois eram decoradas com outro tipo de artesanato como biscuit e decoupage, que também era oferecido às crianças da instituição. Foi aí que me despertou uma vontade de tentar fazer uns carrinhos que as crianças estavam aprendendo, mas faziam sem muito capricho, afinal eram crianças e tinham uma visão diferente da arte que estavam tendo a oportunidade de aprender. Olhei por outro lado e então resolvi tentar fazer um! Fui numa marcenaria perto de casa, peguei uns toquinhos de madeira que estava no lixo, levei pra casa e montei meu primeiro carrinho, um carrinho de F1.

Um tio de Uberlandia-MG viu o carrinho e adorou,  ele tinha umas maquinas de marcenaria em casa e que não usava mais, dai me deu de presente, era uma lixadeira e uma furadeira de bancada, aquilo foi uma beleza pra mim, facilitou bastante a fabricação dos meus carrinhos. Dai entrou meu pai na historia, que sempre me deu total apoio e sempre gostou também de ferramentas e de construir coisas, com ajuda dele fomos montando uma mini oficina de marcenaria que à medida que eu fazia algo diferente à gente conseguia uma maquina diferente para a oficina! Montamos uma completinha, com torno mecânico, serra de mesa, lixadeira, tico-tico, furadeira e tudo mais. A oficina ficava na fazenda, todo fim de semana eu ia pra lá pra produzir, até me roubarem tudo. Cheguei um dia na fazenda e cadê a oficina? A porta estava arrombada e sem nenhuma maquina sequer, nem parafusos levaram tudo! Foi uma choradeira só.

Simone Fraga

Dei um tempo com os trabalhos artesanais, fiquei mais ou menos uns dois anos sem mexer com isso, então foi aí que a marchetaria apareceu, não tinha mais as maquinas, mas algumas caixas que eu tinha feito em casa, passeando pela banca de revistas  – eu sempre comprava revistas de artesanato em madeira-  vi uma revista com a arte em marchetaria. Comprei por que precisava somente de um estilete e cola pra trabalhar. Comecei a treinar a marchetaria em cartolinas, pois o material que eu precisava não era fácil de encontrar, alem de custar caro, então, enquanto não tinha as laminas ia treinando na cartolina, isso foi bom para ver o resultado e depois tentar comprar algum material e colocar em pratica aquilo que a revista ensinava! Deu certo! Meu pai mais uma vez me apoiou e me ajudou com as laminas, fiz umas duas ou três caixinhas, ficaram legais. Depois o SINE (órgão da prefeitura) trouxe um curso de marchetaria pra Sacramento e fui fazer pois eu já sabia a essência da arte, mais me faltava conselhos de como fazer isso, como melhorar aquilo, e no curso me aperfeiçoei e tirei todas as dúvidas. Pronto, já havia estava apaixonada por Marchetaria. Depois disso veio mais um curso que aprendi mais e mais. Hoje, estou fazendo o que eu gosto e espero que as pessoas conheçam e reconheçam essa arte, pois é um trabalho belíssimo e tem sim o seu valor!

– Existe outro artista na família?  Se sim, quem e o que faz?

“Gambiarreiros”! Brincadeira. Meu avô era cheio de inventar coisas que facilitavam a vida deles naquela época, inclusive ele projetou e construiu uma maquina de beneficiar arroz – é serio – ele plantava arroz para o consumo na fazenda onde ele morava e, pra facilitar o trabalho de limpeza ele fez uma pequena maquina. Depois, alugava para vários fazendeiros vizinhos que também queriam trabalhar menos. Tenho uma tia que faz biscuit maravilhosamente acho que só …

– Quais são suas paixões?

Quatro, eu acho… Primeiro minha familia – claro – depois minha vida, biologia e marchetaria.

– O que te motiva?

O prazer que sinto em trabalhar nessa área, é o grande motivador de tudo. E o apoio de várias pessoas que realmente gostam de mim e me falam a cada dia pra nao desistir.

– O que te deprime?

Inveja e egocentrismo!

–  O que é esta arte?

Arte de incrustar e embutir pedaços recortados de madeira formando desenhos.

– Você vive de arte? Responda o que você acha sobre a valorização artística em Sacramento!

Ainda não vivo da minha arte, queria viver, mais infelizmente ainda não dá.

A marchetaria é uma arte pouco conhecido-reconhecida, tanto aqui em “sacra” quanto na região, quando você fala marchetaria à maioria das pessoas não faz nem idéia do que se trata. Isso é uma coisa que me deixa triste, por não conhecer as pessoas nao valorizam, é um mercado difícil, mas acredito que quando reconhecido tem seu devido valor!

Quero promover algumas exposições na cidade e trazer a população para conhecer o trabalho, ver as possibilidades de uso, de ornamentação e ampliar a visão que todos tem de artesanato, mostrando como se faz uma peça, quais as ferramentas utilizadas, visando uma maior valorização alem de conhecimento de outras formas de arte para a população.

– Qual a média de valor de uma obra de arte sua?

Tem marchetaria de todos os preços, de 30 reais até sei lá quanto 500, 600 reais,  tudo depende do tipo de objeto desejado.

– Quais são seus próximos passos? (metas)

Estou engatinhando ainda, não tenho muito dinheiro pra divulgar minha arte, mas quero produzir alguns quadros e organizar esta  exposição aqui em Sacramento.

– Fale um pouco da sua filosofia de vida.

Vida, arte e natureza, tudo com muita simplicidade e amor!

– Onde fica seu ateliê?

Avenida Visconde do Rio Branco – Sacramento Center, 2º piso sala 16

Telefone (34) 8855-9286


– Quais são seus contatos, onde as pessoas podem ver e comprar seus trabalhos?

Flickr:

http://www.flickr.com/photos/simonefraga/

Orkut:

http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=12268994670897759736

E-mail:

simonealvesfraga21@yahoo.com.br

sityfraga@hotmail.com

MSN:

sityfraga@hotmail.com


Telefone:

(34) 8855-9286

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6 pensamentos sobre “Simone Fraga e a arte da Marchetaria

  1. Lindo demais o trabalho , e a história muito bem contada Ernani, Parabéns! Sentimos sua falta por aqui, mas fico feliz de estar buscando coisas novas….é sempre bão! Beijos!

  2. BOA TARDE SIMONE,
    BONITA SUA HISTÓRIA.
    COM FÉ EM DEUS, CONFIE E SEJA DETERMINADA NAQUILO QUE O SEU CORAÇÃO ALMEJA. SEUS TRABALHOS SÃO BONITOS. PARABÉNS.
    EU TAMBÉM FAÇO TRABALHOS NA MADEIRA EM PIROGRAFIA. AGORA ATRAVÉS DA NET DESCOBRI ESSA ARTE DE MARCHETARIA QUE É LINDA E VOU ME DEDICAR TAMBÉM A ELA.
    REFLEXÃO:A oração , faz Deus parar para lhe perguntar: “O que queres que te faça?” (Lc 18.41).
    DEUS TE ABENÇÕE.

  3. Pingback: Os números de 2010 « PROJETO FOTÓGRAFO URBANO ®

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