FESTIVAL ENCANTA VALE É CENSURADO

DOSSIÊ

O dia 10 de janeiro de 2009 realmente entrou para história em Rifaina, última cidade ao noroeste do estado de SP que faz divisa com Sacramento, Triângulo Mineiro.

O  IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou 3.587 habitantes. É uma cidade pequena, mas coleciona disparidades. O TRE informa que existem 3.927 eleitores, ou seja,  340 eleitores a mais, ganhando o título da cidade com maior irregularidade na justiça eleitoral.

“O código eleitoral é mais abrangente, considera quem tem casas de veraneio, permite isso, enquanto o IBGE NÃO considera essas pessoas como munícipes”, afirmou o promotor, o mesmo que apura cerca de dez processos por fraudes em Rifaina. Desde 2006 existem oito processos abertos na cidade para investigar pessoas que informaram endereços falsos nas transferências de títulos eleitorais.

O dia 10 de janeiro entrou para história não por fraudes (essas que existem há anos), mas por ignorar a cidadania e o desenvolvimento cultural, artístico e ambiental que seriam desejos básicos de qualquer representante… não os daqui e, infelizmente, não os de lá. Novidade não é que corrupção sempre foi o mainstream. Mas atitude é palavra que combina com a 1ª edição do Encanta Vale, miscelânea cultural fomentada pelo fotógrafo – rifainense! – Ernani Baraldi.

Ernani é formado em Administração de Empresas com Habilitação em Comércio Exterior, pós-graduado e doutorado – na faculdade da vida – em sociologia e antropologia. Hoje, com 34 anos, traça seu caminho em diversas atividades relacionadas ao audiovisual, antropologia, fotografia, sociologia, cinema e produção cultural.

Em 2007 ele criou o projeto  fotógrafo urbano – pesquisa antropológica que tem como suporte o registro audiovisual das manifestações artísticas e urbanas da capital. Esses olhares formaram um banco de imagens com mais de 50 mil fotos de diversas manifestações urbanas de São Paulo das mais variadas vertentes –  maracatu, grafitti, hip hop, sound system, artista de rua, artista de circo, teatro, dança popular entre outras manifestações e movimentos coletivos que buscam promover atividades socioculturais e socioambientais.

Durante as pesquisas, Baraldi chegou ao projeto “Calo na mão” e abraçou a proposta. O projeto acontece na Escola Estadual Alves Cruz, zona oeste da capital. Ao longo deste período conseguiu acompanhar as inúmeras oficinas de construção de alfaias (instrumento típico do Maracatu) e também os ensaios do grupo Maracatu Bloco de Pedra, que é formado por alunos do calo na mão.

Sua trajetória não para por ai, como fotógrafo still registrou para a Discovery home & health o projeto pílulas de moda, da conhecida produtora Manu Carvalho. Na mesma área (moda), mas, desta vez para a House of Palomino – da também produtora Erika Palomino –  dirigiu a gravação do making of do editorial 11 da  KEY magazine.

Em 2009 aceitou o convite para fazer direção de vídeo em diversos projetos piloto, entre eles, destacam-se:

-Lavando Louça – programa para TV –  Zazu Cultural;

-Gravação do vídeo na íntegra do Grupo Maracatu Bloco de Pedra;

– Making off  da edição Manaus da série de livros comidas regionais do Brasil da Abril Editorial.

Idealizador dos projetos FACU (festival de arte e cultura urbana), Iracema (grafite por meninas) e criador da primeira versão do projeto Encanta Vale, que foi executado no dia10 de janeiro de 2009.

Recentemente, junto aos amigos chilenos Andres Gonzales e Sebatian Morales e com a produtora Dóris Couto, aprovaram na Lei Rouanet (lei de incentivo fiscal) o livro Maravilhas ao sul do mundo/Brasil, no qual é o fotógrafo oficial. Nesta primeira edição,  ele percorrerá o Brasil de Norte a Sul registrando os patrimônios da humanidade tombados pela UNESCO. Na segunda edição, Amazônia e, na terceira, América Latina. Com este mesmo grupo de jovens produtores, já em postulação na ANCINE está o Conquistando o Fim do Mundo, documentário que trata sobre climatologia, ecologia, turismo e aventura, neste projeto ele é produtor de gestão turística.

Outro projeto interessante que Baraldi exerce a profissão de fotógrafo é o portal Maracatu.org, projeto aprovado pelo edital VAI da prefeitura de São Paulo. Ainda na cultura do maracatu , ele faz  produção cultural do Grupo Bloco de Pedra e, apóia outros grupos como:  Mucambos de Raiz Nagô, Gangarussu, Vigna Vugaris, Icamiabas, Baque Estendal, Comunidade Quilombaque entre outros.

Após um ano da execução do I Encanta Vale, o teatro de arena – palco desta manifestação cultural –  continua vazio, deteriorado, sendo apenas um “cartão postal sujo” da cidade.

Procurando o prefeito Municipal em outubro de 2009, Ernani trouxe uma nova versão para o “Encanta Vale” justamente pela aceitação pública, desta vez, com uma programação mais extensa, começando às 13h e terminando às 22h, com objetivo de interagir as áreas apresentadas e despertar interesse para a implementação de projetos para crianças e adolescentes  – que precisam desenvolver sua criatividade, resiliência, altruísmo, debate de idéiais -. O projeto, orçado em 32 mil reais, recebeu verbalmente o apoio da prefeitura. “Não dá para a prefeitura pagar esse valor” comentou o prefeito e, finalizou “mas a gente pode dar uma ajudinha”. 10 mil oferecidos (que é o valor que arca apenas transporte, alimentação e hospedagem dos artistas). A data agendada: 30/01/2010.

Votando para São Paulo – onde reside e trabalha – Baraldi, que é conhecido no meio artístico – fez reunião com sua equipe de produção e definiram transformar o projeto  em festival. Fecharam atrações, programação, e todos os envolvidos doaram seus cachês. Desta forma, ele partiu para estruturar o projeto e conseguir patrocínio para muitos itens que somados chegam a 20 mil reais sem apoio.

Fim de ano, de volta a Rifaina para ficar com a família e também elaborar o check-list para manutenção, limpeza, pintura, camarim entre diversas outras coisas providências para uso do então (abandonado) teatro de arena. Para sua surpresa, em reunião com o secretário de cultura (Cézar B. Cardoso) descobriu que o prefeito a pedido do Secretário de turismo  cancelou a data. A justificativa foi que nos dias 29, 30 e 31 de janeiro o secretário de turismo irá realizar o “difusora show” (festa de axé, sertanejo e funk) na cidade.  “Na segunda-feira quero falar com o prefeito, saber porque cancelou a data e quanto a prefeitura está gastando para promover três dias de festa, e também como eles gastaram a verba pública para dois dias de festa no reveillon”. desabafa Ernani.

Vejam abaixo matéria comentada no Farol Comunitário (portal de noticias da região) sobre a primeira edição do Encanta Vale

Com o objetivo de promover e unir expressões culturais com diferentes linguagens na região do vale do Rio Grande, o projeto Encanta Vale, grupo de artistas independentes, chega a Rifaina neste final de semana, transmitindo a essência de diversidade, responsabilidade social, colaboração e conteúdo.

No sábado, o evento tem início com o Maracatu do grupo Viralatisse, que sai da Praça 24 dezembro em direção ao teatro de arena na avenida Calixto Jorge, às 16 horas.

A idéia nasce quando o produtor, fotógrafo e pesquisador Ernani Baraldi faz uma pesquisa sobre novos adolescentes. Baraldi há um ano criou outro projeto chamado fotógrafo urbano, onde ele pesquisa e fotografa artistas independentes na cidade de São Paulo.

A pesquisa ele cria é para traçar um perfil que tem seu direcionamento embasado nas tendências urbanas, comportamento, moda, música, diversidade e influências de novas tecnologias. Para traduzir a essência desta pesquisa, Baraldi precisa gravar um vídeo institucional, então ele conseguiu juntar o útil ao agradável, fechou parceria com o hotel águas do vale para hospedagem de 40 pessoas com alimentação inclusa.

Assim Baraldi, através de suas pesquisas junto ao fotógrafo urbano decidiu juntar pessoas importantes na cena independente, conseguindo também parceria para que os mesmos se apresentem com um único intuito, difundir a cultura, traduzir a essência da pesquisa que é a diversidade, promovendo entretenimento “alternativo” para uma região estagnada culturalmente.

Miscelânea cultural no vale do Rio Grande para gravação de arquivos audiovisuais com parte do projeto documentário histórico do grupo Viralatisse e videoclipe.

Artistas participantes:
– Grupo Viralatisse – São Paulo
O Viralatisse é um grupo de percussão que mistura elementos da cultura popular brasileira a diversas linguagens musicais. De sonoridade rica, suas apresentações aliam a força do Maracatu ao swing do Funk e a levada do Afoxé, trazendo ao público, de forma alegre e descontraída, espetáculos ricos no canto, na música e na dança.

O Grupo nasceu na Escola Estadual Alves Cruz, em São Paulo, no ano de 2002. Na época, o Projeto Fênix e o Cidade Escola Aprendiz (organizações não governamentais comprometidas com a educação pública), mantinham nesta escola, oficina que formaram o Viralatisse. Desde então, seus integrantes têm se dedicado ao estudo dos ritmos e das técnicas percussivas. O Conteúdo apresentado no trabalho do grupo é fruto de pesquisas realizadas em Pernambuco, nas próprias Nações de Maracatu, e em outros folguedos populares da rica cultura regional brasileira.

Ao longo de sua história, o grupo já se apresentou em unidades do Sesc, em eventos para a Prefeitura de São Paulo e na abertura do show da banda Titãs, na praça Charles Muller, em São Paulo.

– Som mecânico ( Samba rock, soul e jazz)
-Dj Gleds
– Arte Circense representando os elementos da natureza
– Daneil Wolf – contato, claves luminosas e pirofagia
– Luna Borges – Pirofagia

DATA E PROGRAMAÇÃO

SÁBADO 10/01 as 16:00 horas CORTEJO DE MARACATU – saindo da praça 24 dezembro em direção ao teatro de arena na avenida Calixto Jorge.

Antigamente, o cortejo era feito em homenagem aos Reis de Congo, representantes do povo negro. O nome “cortejo”, em Pernambuco, é usado quando as Nações de Maracatu saem às ruas, acompanhadas de suas respectivas cortes.

20:30 H – Miscelânea cultural, abertura com o grupo percussivo de Rifaina e logo sem seguida o Grupo Viralatisse inicia Maracalabares um espetáculo que brinca com a linguagem do maracatu e reinterpreta, a partir de suas peculiaridades, ritmos africanos, o Afoxé, o coco, o Funk, entre outros, trazendo à tona o dinamismo da cultura popular brasileira. Com intervenção ao vivo de grafite, arte circense, pirofagia e som mecânico. O Evento será gravado com parte do projeto documentário histórico do grupo Viralatisse.

“O Encanta Vale deixou de ser apenas um sonho, ele saiu do papel, a segunda edição será maior, por isso o nome ganha o título de Festival. A data é apenas uma manipulação política para boicotar o que realmente tem que ser feito pelo estado, conforme artigo 227 da constituição” completa Ernani Baraldi

Artigo 227 da constituição:

É dever da família, da sociedade e do estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à saúde, à alimentação, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda a forma de negligência, discriminação, exploração, crueldade e opressão.

BEM VINDO AO PORTAL DO PROJETO.

Comente, divulgue, proteste!

Contato:

produção@encantavale.com.br

FOTOS DO I ENCANTA VALE

Direção:

Ernani Baraldi e Andres Gonzales

Produção Geral

Raquel Zucchi e Angela Gaeta

Poesia e natureza

Grafite: Luiz Birigui (causa efeito) Wagner Roza (cidade escola aprendiz)

Poesia e fotografia

Daniel Wolf e Paula Alaya

Viralatisse – grupo de maior representação no Maracatu de São Paulo

Culturalmente aceito pela população

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