GRAPIXO

Criatividade , gerada pelo impulso de sentimentos e a necessidade de expressão, independentemente de ser ilegal ou não.

Penso que a causa principal desse preconceito seja a falta de intimidade com a sensação prazerosa que é ver e reconhecer a legitimidade de uma boa arte, ou mesmo até a pratica da mesma , colocando muitas vezes a arte como um veiculo de alienação desnecessário para o psicológico humano , demonstrando a carência de informação, bastante enfatizada pela minha pessoa .
Assim, numa idéia conclusiva , podemos afirmar que a uma necessidade de uma arte voltada para as grandes massas , vem desde a pop art, no contexto da pós- modernidade , o graffiti é voltada para as massas, de maneira a tomar o espaço urbano, dialogando com a cidade, em busca não da permanência, enquanto significado de arte consagrada de uma época , mas de expansão, da arte que é exercita a comunicação e faz propostas ao meio, de forma bastante interativa. As cidades não são só o suporte , mas os tons das tintas e os movimentos todos do surpreendente imaginário humano. ” O que está dentro fica, o que está fora se expande”(Grupo 3nos3), refletindo sobre as artes contidas em museus e galerias, e enfatizando o graffiti como um meio em constante evolução , não preso e manipulado a qualquer meio ou pessoa, e até mesmo lei .
O fato é que o graffiti enquanto arte é parcialmente aceito, como já disse, é ainda hoje confundido com pichação e tratado como arte inferior. Isso ocorre quando , em alguns casos, se apropria da arte estabelecida como matéria-prima e a transforma , com isso recriando leituras. Vide Cláudio Donato, com seus Van Goghs Spraussionistas, ou Ozeas Duarte com seu Museu de Rua , levando para a cidade releituras de artistas consagrados.
No passado vimos a fotografia transformar a pintura retratista, e hoje é a fotografia que é utilizada como referencial imagético pelos graffiteiros na criação de mascaras (stencil art). Não reconhecer essa dinâmica, permanecendo num jogo de valorização de um em detrimento de outro, é embotar a sensibilidade ou, na pior das hipóteses , perpetuar o péssimo habito de pichar esse ou aquele, intencionando evidenciar convicções pessoais.

O graffiti reflete multiculturalidade na produção de estilos diversificados, como observamos ao longo destas três ultimas décadas. A mídia , geralmente, privilegia um determinado estilo, massificando-o, fazendo crer que o mesmo é único ou imprescindível, o que não é verdade. Dentro de uma linguagem , grupos diferentes se expressam, carregando as próprias posturas. Se fosse para estabelecer uma suposta relação entre graffiti e musica, eu diria que ela esta para o hip-hop, rap, new wave, enquanto a pichação, para o punk, o trash, metal, não que quem curti punk, não possa fazer graffti e vise versa, só estou evidenciando que transitando entre grupos de linguagens diferentes encontramos posturas semelhantes. Mas dentro de cada postura dialogam visões diferentes entre si, carregando influencias .
Estabelecer que o graffiti e pichação, são a mesma coisa, sancionando lei igual, desconsiderando o percurso de luta e reconhecimento do graffiti, é, no mínimo, não inteligente, arbitrário. É querer, como se fosse possível , apagar em um único ato a historia de sucessivos atos, que ao contracenar criam novos atos de uma outra historia. No entanto queria fazer a apologia de que graffiti e pichação , são posturas diferentes com resultados diferentes, o graffiti aceita dialogar, a pichação se resume mais as letras, porem utilizam-se do espaço urbano, e a própria origem, por isso as pessoas banalizam ambas atitudes artísticas, devido a duvida e a indistinção entre ambos, assim tornando-os artes inferiores.

Precisamos recuperar nossos sentidos sem que nos mutilemos , separando corpo da mente e do espirito. Precisamos ser mais compressivos uns com os outros, quanto há tantos querendo “indizer”, quanto há tantos que de tão acostumados com seus caminhos conhecidos os percorrem distraidamente, o que é importante termina emudecendo, ficando invisível. A população de hoje, é pouco informada, de uns tempos para cá, que a informação vem tendo sua importância devida, a miséria e as desigualdades sociais não sustentando uma cultura européia , assim o povo acaba-se alienando, e agregando-se a culturas não pertencentes a nossa unidade brasileira, assim conjugando a miséria com essa globalização, assim podemos dizer, povo acaba se descaracterizando e sendo manipulado por meios de comunicação, e por uma política , corrompida por empréstimos e pressões externas , desnecessárias ao povo e ao próprio desenvolvimento do Brasil . O graffiti , em fim , para mim arte deve estar fora do ambiente careta das galerias e fazer parte da ação cotidiana do homem contemporâneo . Influenciada pelo excesso de informação urbana e tecnologia , a arte se resume um papel vital que é expandir , comunicar e conscientizar.

O mercado da arte só se aqueceu quando a arte passou a ser considerada menos “esnobe”, passando a ser assimilada, sobretudo nas gerações jovens – devido , em parte , a evolução do grupo e a atitude sempre persistente e objetiva que tinham. Mas, não foi só isso que estimulou o crescimento do graffiti e sua aceitação, na década de 80 e metade dos anos 90, outro fator determinante para melhor estruturação ocorreu quando algumas pessoas sacaram que quem detêm o poder é o curador , e não o artista. Foi quando legiões de figurões, muitos ex-artistas migraram para o setor político da coisa garantindo, a seu modo uma vaga nesse universo da evolução. Quando a procura ficou maior que a oferta, os curadores precisavam curar e galeristas precisavam vender, sob a desculpa do valor acadêmico , da faculdade de arte ( e somente uma tratou de fornecer os novos talentos, nada mais oportuno). Uma vez reciclado e arejado , o ambicioso mundinho das artes tomava cuidado de se proteger fechando novamente as portas de ingresso atrás de si, tornando-se novamente elitizador e manipulador do poder.

No entanto o graffiti tende a ser mais contracultural, ainda mais que hoje como disse sofremos influencias , e o que há e artes americanizadas, devemos utilizar de uma transformação e auto identificação, brasil-sociedade, de modo que a arte volte a ser cultura brasileira, e de maneira a todos que presenciarem se identifiquem, ainda mais o graffti que é uma arte corriqueira e que vem a fazer parte do cotidiano, devido a utilizar-se do espaço urbano.

Temos de nos conscientizarmos uns aos outros, o mais pobre até o mais rico, abrindo nossa mente para propostas enriquecedoras a nossa cultura e ao nosso desenvolvimento enquanto termo mundial. Temos que ser nos mesmo com nossas características, culturas e origens , não nos deixaremos influenciar por idéias, determinantes e exploradores , quanto a nos mesmo. E de maneira que todo esse processo, relativamente e lento, o mesmo posso dizer em relação a todo o processo artístico, pois depende da intimidade alcançada entre o homem e o trabalho para que os resultados estéticos ( no caso da arte) sejam satisfatórios. Talvez , um dia o Brasil seja o meu Brasil brasileiro , e assim todo centro urbano , possa vir a ser uma grande galeria de arte (graffti) ao céu aberto , e o povo acabe por se conscientizar de que o graffiti não é mesmo vandalismo, e sim uma forma de expressão .

IMG_1762

Valeu CALLE, CAPS E SKOITO.  Valeu a adrenalina, emoção. Na proxima quero estar com uma lente melhor para poder fotografar de verdade o abuso do poder!

veja mais sobre  http://intra.vila.com.br/sites_2002a/urbana/grapixo/intro.htm

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7 pensamentos sobre “GRAPIXO

  1. Com certeza ernani…gostei das explicações…acompanho uma galera a algum tempo do grafitti…da hora mesmo…muitos grafiteiros começaram pichando…a arte é escassa e o jovem com sede de vida…e arte…você sempre representando…

    • o importante é dar crédito a todos e fazer a difusão. Estamos juntos pra fazer isso não é mesmo!

      Valeu Pedrinho…. precisamos marcar outro encontro.

  2. Belo texto mano, ta de parabens! “Talvez , um dia o Brasil seja o meu Brasil brasileiro , e assim todo centro urbano , possa vir a ser uma grande galeria de arte (graffti) ao céu aberto” talvez não vai ser.
    abraço.

  3. Mando muito bem! Sensacional! Parabéns!
    Quem sabe um dia as pessoas entendam essa manifestação de arte urbana e deem as o seu devido valor!
    É a arte para o povo, ta ali qualquer um que passar pode ver, você não tem que se locomover e pagar para ver arte!

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